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Notícias do Esporte
Publicada em 01/10/2013.

Bernardinho vê falha na formação de atletas: 'O esporte não está na escola

Treinador cobra maior trabalho base, aponta melhor momento das meninas no vôlei e garante que sucesso do passado não trará medalhas no futuro

Sempre firme em suas declarações, Bernardinho fez uma longa reflexão sobre o atual momento do vôlei no Brasil. Contente com o que vê no feminino, o treinador muda o semblante e o tom de voz ao falar do masculino. Na opinião do multicampeão, o processo de renovação vivido pelo seu time traz dificuldades na continuidade de um modelo vencedor, principalmente devido à ausência de mão de obra tão qualificada quanto outrora. Bernardinho pede mais atenção das autoridades brasileiras para a questão da política esportiva do país, principalmente dentro das escolas.

- Eu diria que isso seria, talvez, o reflexo de uma ausência de política esportiva no país. Quando você abre uma base de qualidade, você tem que ter uma política esportiva. Não são ações isoladas que vão gerar isso. Qual o habitat natural de uma criança? É a escola. O esporte não está na escola. Por que não? Se nós conseguíssemos colocar qualidade na iniciação, os treinadores teriam onde garimpar mais atletas. Não só no voleibol, mas em todos os esportes. Muito mais do que investimentos pontuais, que geram estruturas, há de se pensar em uma coisa maior, que promova a ampliação na base de praticantes. Precisamos criar esse legado com as Olimpíadas e a Copa do Mundo no Brasil. Não é apenas construindo grandes estádios e ginásios, mas tendo bons professores e treinadores em pequenos estádios, pequenos ginásios, para estarmos descobrindo mais valores para todos os esportes e não só para um. A gente precisa disso para sermos uma potência olímpica, que é o nosso sonho - criticou o técnico cinco vezes medalhista olímpico como comandante das seleções brasileiras masculina e feminina.

Bernardinho demonstra preocupação quanto ao futuro da seleção brasileira, em especial, a masculina, que, na sua opinião, passa por um momento mais complicado do que a feminina. Sem as mesmas opções de reposição, o treinador admite uma mudança de rumo e já projeta um sistema mais inovador do que o atual.

- O voleibol masculino vive um momento maior de dificuldades, uma renovação mais difícil, mais complicada e um nível de competitividade muito maior no mundo. O voleibol feminino tem menos equipes competitivas do que o masculino e uma geração superior. Precisamos repensar. Outro dia, eu estava conversando com um dos treinadores da base sobre um projeto inovador. Temos buscar mais jovens atletas e formar mais jogadores - opinou.

De acordo com Bernardinho, o sucesso do vôlei se sustenta em investimentos feitos no passado e títulos conquistados em demasia durante as últimas duas décadas.

- A ginástica fez o Centro de Treinamento em Curitiba, a natação passou a fazer um pouco mais, etc. e tal. Mas o voleibol começou a fazer isso no final dos anos 70, início dos 80, em função dos investimentos feitos mais prematuramente. Isso deu ao voleibol uma vantagem temporal. Quando você começa a ganhar títulos, como a geração de prata, primeira que estimulou os jovens, o voleibol começou a virar esse círculo virtuoso. Você investe na base, profissionaliza o sistema, vai gerando crescimento. Vem a geração de prata, depois a de ouro, em Barcelona. Abriu-se um período que o Tande chamou de geração diamante, porque ganhou muitos títulos em muito tempo, e sempre competitivo. Agora, não podemos cair na armadilha do sucesso, imaginar que esses 12, 13 anos de excelentes resultados lhe garantam alguma coisa, não garantem. A única coisa que temos garantida é uma expectativa. Todos esperam, de novo, uma medalha, uma conquista, e a gente sabe que não é fácil se manter lá - afirmou.

A competitividade entre as seleções é o fator que mais chama a atenção de Bernardinho, que mantém a luz amarela acesa. O comandante chega a usar a trajetória da Polônia nos últimos anos para exemplificar o quão dura está a concorrência mundo afora.

- Nós fizemos finais de praticamente todas as competições que disputamos, com exceção de duas Ligas Mundiais, em 12 anos. Nossos adversários de finais foram quase sempre diferentes, poucas finais se repetiram. Isso mostra consistência. Você não vai ganhar sempre se não for consistente. O diferencial no vôlei masculino é muito pequeno. Em três bons saques, você muda a partida. No Europeu, a Alemanha ganhou da Rússia, na estreia, por 3 a 0, e depois perdeu para a Bulgária e ficou fora da semifinal. A Polônia, que ano passado na Liga Mundial foi excepcional, nas Olimpíadas ficou fora e, agora, em casa, não classificou nem entre os oito (melhores) a menos de um ano das Olimpíadas. Falta de consistência. A gente tem que tentar permanecer, por isso tem que se questionar. Não podemos imaginar que o sucesso passado lhe garanta sucesso no futuro, não garante nada. Garante expectativas crescentes e cobranças cada vez maiores. Temos que estar prontos para elas - finalizou..

fonte/foto: G1.com/globoesporte

Qual o habitat natural da criança? É a escola. O esporte não está na escola. Por que não? Se nós conseguíssemos colocar qualidade na iniciação, os treinadores teriam onde garimpar mais atletas."
Bernardinho
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